O economista Emílio Londa é de opinião que a economia angolana em 2015 pode ser comparada a um avião que descolou rumo ao crescimento mas foi abrigado a aterrar devido à fortes turbulências causadas por vários factores, entre eles a queda acentuada do preço do petróleo que, por sua vez, obrigou o Governo a ajustar o preço dos produtos refinados, a suspensão de muitos benefícios antes auferidos pelos funcionários públicos e a redução significativa das despesas em serviços e investimentos.

De acordo com o analista, a economia angolana descolou rumo ao crescimento em 2003, na sequência da combinação de dois fenómenos, nomeadamente “o alcance da Paz que ofereceu as condições para a atracção de investimentos de longo prazo, e o aumento histórico do preço do petróleo, tendo o Brent rompido o tecto de 40 dólares no mês de Julho de 2004, pela primeira vez (considerando preços correntes)”. Entretanto, prossegue o economista numa análise publicada no portal Rede Angola, “depois de uma forte turbulência, entre 2009 e 2010 (cujos efeitos ficaram-se, essencialmente, na ligeira desvalorização do Kwanza, na queda das reservas internacionais líquidas, na acumulação de atrasados e na redução do ritmo de crescimento económico), a economia de Angola seguiu voo, com uma actividade económica ainda vibrante”.

O especialista refere, porém, que a meio do ano de 2014, “uma nuvem negra forma-se e os primeiros avisos de uma forte turbulência são emitidos. O indicador foi a forte queda dos preços de referência do mercado petrolífero mundial e a redução do ritmo de crescimento da China”. Refere ainda que “à entrada do ano 2015, o mau tempo agravou-se e o primeiro sinal de início de manobras de aterragem foi o pedido de revisão do OGE 2015, por parte do Executivo, medida vastamente saudada pela crítica”.

“A instabilidade agravou-se, tendo a depreciação do Kwanza e as barreiras aos fluxos de capitais sido a expressão predominante do mau tempo. Perdeu-se altitude e as empresas menos robustas convulsionaram. Os responsáveis pela gestão macroeconómica (nesta metáfora, os pilotos do avião) definiram prioridades e estas foram a manutenção do emprego do funcionalismo público, a importação de bens considerados essenciais e a ‘aceleração da diversificação da economia’.” Leia a análise completa em Rede Angola.