Mais de 100 mulheres capacitadas sobre os Direitos Sexuais e Reprodutivos

14/9/2021 4:03 PM

A ADRA realizou, nos dias 30, 31 de Agosto e 07 e 08 de Setembro, os Workshops Municipais sobre Direitos Sexuais e Reprodutivos, nos municípios do Cazenga, Viana, Cacuaco e Kilamba Kiaxi, respectivamente, a nível da província de Luanda.

Os eventos tiveram como objectivo capacitar mulheres e meninas das organizações locais da sociedade civil sobre questões de Direitos Sexuais e Reprodutivos.

A escassez de informações, os preconceitos e a falta de diálogo sobre estas temáticas levaram a ADRA a realizar reflexões sobre diversos temas, como Doenças Sexualmente Transmissíveis, Gravidez Precoce, Métodos Contraceptivos; Direitos Sexuais e Reprodutivos das Mulheres e Meninas; Abuso, Exploração e Violência Sexual; Pobreza e Higiene Menstrual e Violência Obstéctrica.

A violência obstéctrica foi um dos temas mais debatidos durante os Workshops. Ela pode se manifestar através da negação de tratamento durante o parto, humilhações verbais, práticas invasivas, violência física, uso desnecessário de medicamentos, detenção em instalações por falta de pagamento, entre outros.

Na ocasião, uma das participantes compartilhou uma situação de maus-tratos de que foi vítima durante o parto e que deixou sequelas ao seu filho, até ao momento.

“Dei à luz ao meu primeiro filho na maternidade sem a assistência dos técnicos, e no momento de dar à luz, o bebé bateu com a cabeça em uma cadeira. Só depois disso, é que pegaram no bebé e prestaram assistência”.

“Quando estou em estado de mãe, fico traumatizada. Sempre que eu olho para cabeça do meu primeiro filho, lembro-me da história”.

Segundo Suzete Manuel, as respostas às denúncias sobre estes casos não são rápidas. “Isso nos limita, traumatiza as pacientes, que acabam por recorrer aos serviços tradicionais”.

Segundo Florita Telo, facilitadora da formação, estas situações poderiam ser evitadas, “mas não são porque as nossas estruturas de saúde não têm condições”.

“E infelizmente, a nossa sociedade ainda culpa as mães com frases como: Engravidou porquê? Não tinha que engravidar. Já tinha não sei quantos filhos”, lamentou.

O número de filhos deve ser uma decisão da gestante e não depende das condições sanitárias de um país.

“As mulheres estão a morrer para dar à vida. Não está certo! Queremos ter vida e continuar a dar vida.” Apelou Florita Telo.

Do encontro, as participantes concluíram que o sistema de saúde angolano ainda não se encontra suficientemente humanizado, pois são vários os casos de maus-tratos, abusos e desrespeito a que mulheres são submetidas, por razões como o fraco investimento no sector da saúde, bem como a ausência de políticas públicas que respondam aos vários problemas que afectam directamente as mulheres e meninas.

Florita Telo aconselhou as jovens a não fugirem da política, por ser o meio pelo qual se pode garantir a mudança deste quadro. “As mulheres têm que estar no espaço político, para influenciar e fazer políticas públicas para mudar a realidade das mulheres no nosso país.”

No final dos workshops, as participantes garantiram partilhar os conhecimentos adquiridos com as recebidas nos espaços.

A Coordenadora Adjunta para a Área das Comunidades de Viana, Maria da Conceição, afirmou que antes da formação não sabia dar solução aos diversos casos de violência sexual e obstétrica que a Comissão de Moradores do Bairro do Kikuxi recebia.

“Levo as experiências do encontro e muito conhecimento. Registamos muitos casos do género e aqui no workshop aprendi como lidar com este tipo de situação e onde devo direccionar as mulheres que sofrem de violência”, concluiu.

Estes workshops, que contaram com a participação de 127 mulheres e meninas, enquadram-se no Projecto de Apoio Institucional, financiado pela organização sueca Afrikagrupperna.

ADRA | Mais de 30 anos construindo caminhos para a Cidadania e Inclusão Social em Angola
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