Quadros do Governo e Sociedade Civil capacitados sobre Direitos das Mulheres

1/12/2021 1:09 PM

A ADRA capacitou membros da Sociedade Civil e do Governo do Huambo sobre os Direitos das Mulheres, a 18 de Novembro, na Biblioteca Provincial do Huambo.

O XI Módulo de Formação sobre Saúde e Direitos das Mulheres visou analisar o acesso das mulheres aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, reflectir sobre o acesso à saúde para as mulheres nas zonas rurais e  abordar a questões de violência, exploração sexual, medidas de prevenção e combate a nível das áreas de intervenção.

A sessão de capacitação contou com a participação de 54 formandos, dos quais 30 mulheres, entre membros das Organizações da Sociedade Civil, associações e cooperativas de camponeses, representantes dos Gabinetes Provinciais da Acção Social e Saúde, mulheres das distintas Instituições Religiosas, partidos políticos com assento parlamentar, Instituto de Desenvolvimento Agrário, igrejas e autoridades tradicionais, técnicos da ADRA, jornalistas e académicos.

Anabela Sakaneia é uma das participantes da formação, conta a sua experiência enquanto pessoa com deficiência e revela que o acesso à saúde para mulheres com deficiência é muito mais difícil.

“Muitas vezes, os hospitais não têm condições de acesso e infraestruturas adequadas, há barreiras arquitectónicas e, algumas vezes, somos discriminadas no momento do atendimento, na maternidade em particular, pelos próprios médicos.”

A participante diz que a limitação física é geralmente associada à saúde sexual e reprodutiva.

“Por sermos mulheres com uma certa limitação física, consideram-nos incapazes de poder gerar filhos”, disse.

Claudete Capapelo, com deficiência visual, diz que, muitas vezes, as mulheres nas comunidades já não aceitam realizar os seus partos nos hospitais públicos, preferem procurar os serviços de parteiras tradicionais, porque são maltratadas ou discriminadas, pelo facto de terem certo número de filhos ou por possuir pouco conhecimento sobre a saúde reprodutiva e outros seus direitos como mulher.

“Mulheres com deficiência visual, como eu, precisam de uma guia em todos os momentos e lugares, mas, quando chegamos nas maternidades com objectivo destas guias nos prestarem o pontual e devido apoio como é de costume são barradas pelos técnicos de saúde”, denunciou.

A representante do Gabinete Provincial da Saúde, Adelina Bonga, reforçou que, para muitas comunidades, igrejas e outras organizações, o planeamento familiar e outros métodos que visam garantir a saúde da mulher são ainda uma utopia.

“Nestas mesmas localidades, a saúde sexual da mulher rural ainda é muito debilitada, porque não há uma relação de parceria directa entre a mulher rural e a unidade ou técnico sanitário e, preferem, em muitos casos, aderir aos serviços de parteiras tradicionais”, avançou.

A funcionária do Departamento de Saúde da Mulher e Reprodutiva apelou à necessidade de serem organizados grupos comunitários capazes de divulgar a situação da saúde a nível das comunidades, de modo que a credibilidade e seriedade do assunto parta dos próprios líderes comunitários e estes, por sua vez, repliquem para mais pessoas.

No final, os participantes foram unânimes em considerar a necessidade de se divulgar mais os direitos das mulheres, advogar junto dos órgãos de representação do Estado melhores condições infraestruturais nos hospitais e humanização dos serviços de saúde.

O XI Módulo de Formação sobre Saúde e Direitos das Mulheres decorreu no âmbito das acções da ADRA na promoção da equidade e justiça de género, enquadradas no Projecto Desenvolvimento Comunitário e Género, financiado pela organização sueca AfrikaGrupperna.

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